Tchau, querida!

O que esperar de um gestor de temperamento difícil, que se indispõe com meio mundo, cria inimigos em tudo quanto é canto, age despoticamente, não ouve conselhos de assessores e nunca reconhece seus próprios erros?

Em qualquer empresa ou organização, esse tipo de líder só permanece no poder se for bom, mas muito bom de serviço. Ainda assim, certamente não vai ser das pessoas mais queridas e admiradas entre seus pares.

E quando além de cabeça-dura, é ruim de serviço? É lógico que uma pessoa assim não dura muito tempo no poder, até por questão de auto-sobrevivência da empresa ou organização. Maus gestores podem levar uma empresa à falência. Maus gestores com temperamento difícil podem, também, levar os colaboradores e subordinados à loucura.

É com essa analogia, aparentemente simplista, mas muito eficaz, que devemos analisar o ocaso de Dilma Rousseff. Não há por que nos prendermos a subjetivismos quanto ao temperamento peculiar da (ainda) mandatária do Planalto. Sejamos objetivos: o governo dela foi ruim. Uma administração ruinosa, que acabou com o legado positivo de 16 anos dos mandatos de FHC e Lula. E que acabou com a reputação deste último, que saiu do governo aclamado nacional e internacionalmente, mas hoje frequenta mais o noticiário policial do que o político.

Não há como deixar de creditar a Lula grande parte do engodo que foi a administração Rousseff. Foi ele, lá em 2010, que vendeu aos eleitores a imagem de “gerentona” competente daquela mulher que nunca disputou um cargo eletivo sequer. Cansados das mesmices eleitoreiras, boa parte da população embarcou na ideia da “novidade”: uma pessoa que nunca seguiu carreira política estaria supostamente descontaminada das mazelas éticas que permeiam o ambiente político. E o que era melhor: com o “carimbo Lula de qualidade”, num momento em que o então presidente surfava nos mais altos índices de popularidade.

Tecnicamente falando, Dilma Rousseff falhou justamente nas áreas que ela domina mais: além de economista, é especialista em gestão do setor elétrico. Uma série de decisões mal tomadas e um prognóstico errado quanto à queda no preço das commodities brasileiras, causada pela desaceleração da economia da China a partir de 2011, fizeram engrossar o caldo da crise. A equipe econômica de Dilma apostou que a debacle das commodities era passageira e danou a lançar medidas de estímulo ao consumo, com redução de taxas de juros e isenções diversas. Com um viés “desenvolvimentista” um tanto démodé, o governo Dilma se assemelhou muito ao do ex-presidente militar Ernesto Geisel, apostando em grandes obras tocadas pelo Estado como elemento propulsor do desenvolvimento econômico. Uma vez que a China não recuperou o ritmo de sua economia, causando uma desaceleração econômica em quase todo o mundo, as medidas adotadas no Brasil foram se tornando cada vez mais insustentáveis. Somaram-se a isso medidas populistas de contenção dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica, entre 2012 e 2014, aumentando o déficit das finanças públicas. Por conta dessas irresponsabilidades, o país viria a pagar uma conta muito salgada a partir de 2015.

Com alta nos preços nos supermercados, aumento inesperado de tarifas públicas, obras de mobilidade urbana prometidas e não entregues, além dos já tradicionais escândalos de corrupção, a população explodiu em fúria às vésperas da Copa das Confederações, em 2013. Foi ali que o governo Dilma Rousseff começou a ruir, embora muitos analistas, por mais que se esforçassem, não conseguiram ter a percepção exata de até onde a crise de confiança da população no governo e nos políticos iria chegar. Quem seriam os alvos? A direita? A esquerda? Alguém se salvaria?

Politicamente, o erro capital do PT foi ter apostado num segundo mandato de Dilma Rousseff, mesmo com o governo capengando já nos dois últimos anos do primeiro mandato. Por mais que a crise econômica de 2015 viesse a explodir, com qualquer um que estivesse ocupando o Planalto, é inegável que um presidente com maior habilidade política conseguiria contornar as dificuldades, conversar com o Congresso Nacional e com diversos setores da sociedade, e buscar um pacto pela recuperação da economia. Foi tudo o que Dilma Rousseff não conseguiu fazer em seu curto segundo mandato, e o resultado concreto e personificado de seu insucesso negocial chama-se Eduardo Cunha.

O fator Lava-Jato também pesou para a derrocada do governo petista, embora muitos analistas acreditem que, se a economia estivesse bem, o maior escândalo de corrupção da Nova República teria pouco peso na opinião pública. Aconteceria algo semelhante ao auge do escândalo do Mensalão, em 2005, quando tudo fazia crer que Lula sucumbiria à desgraça pública. Os bons resultados da economia naquela década salvaram o ex-presidente da degola.

Em grande parte, Dilma colheu, merecidamente, o resultado do clima de animosidade herdado da eleição de 2014, onde o PT jogou muito sujo na campanha de desconstrução das imagens de Marina Silva e Aécio Neves, os principais adversários eleitorais de Dilma. Também houve decepção entre os próprios eleitores de Dilma, ao verem que boa parte das promessas da campanha da reeleição foram acintosamente descumpridas já nas primeiras semanas do segundo mandato. Enfim, Dilma conseguiu desagradar a muitos, em pouquíssimo tempo, e não era de se espantar que os movimentos de rua pedindo a sua saída crescessem de maneira tão orgânica, a partir do primeiro “panelaço” no já longínquo 8 de março de 2015.

Pessoalmente, eu não subestimo o poder de mobilização do PT e dos movimentos ligados à esquerda brasileira. Não haverá trégua ao governo Michel Temer e ainda há a possibilidade, remota, de o Senado inocentar Dilma Rousseff. Seria, talvez, a maior vitória da ex-guerrilheira, que sobreviveu às torturas no regime militar e que vive agora as torturas da política civil brasileira.

Comente este texto no Facebook, clicando aqui ou usando o formulário mais abaixo.

Alexandre Sena Show #05 – Impeachment

CuboASShow

No ar, a quinta edição do Alexandre Sena Show! Você pode ouvir este episódio no player acima ou baixando o link no final deste post.

Chegamos à semana decisiva para a presidente Dilma Rousseff, com a deliberação sobre a admissibilidade do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados. Relembro os acontecimentos nos dias que precederam à votação e explico por que a piora na economia, e não as investigações da Lava-Jato, se tornou o principal vetor da queda do governo petista (ouça um trecho desse assunto no SoundCloud).

No Giro Pelos Podcasts, apresento trecho das edições mais recentes dos podcasts NBW, Plataforma Cast e Sabre na Noz.

Na parte musical, você curte três ritmos eletrônicos bem distintos: o trance de Chicane, com Fibergrass; o electro house de Galantis, com No Money; e o trap de Chainsmokers, com Roses.

Comentários sobre esta edição podem ser enviados para o meu e-mail, alexandresena@gmail.com, ou pelo Facebook. Visite nossa fanpage ou deixe o comentário no formulário mais abaixo.

Seja um patrono do Alexandre Sena Show! Doe qualquer valor por meio do Patreon.

Assine nosso feed RSS.

Baixe a íntegra deste episódio (formato MP3, 24,6 MB, 26m49s)

Nesta sexta tem podcast!

Vai ao ar nesta sexta-feira a edição 5 do Alexandre Sena Show. O tema, claro, é o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a expectativa com a votação na Câmara dos Deputados. Não percam!

Alexandre Sena Show #04 – Facebook e SEO

CuboASShow

No ar, o quarto episódio do Alexandre Sena Show. Você pode ouvir a edição no player acima ou baixando o link no final deste post.

O tema principal desta edição é o Search Engine Optimization (SEO), o processo de otimização de sites para que eles apareçam em destaque no Google e em outros mecanismos de busca. Explico por que o SEO perdeu bastante o atrativo que possuía há alguns anos, por conta do avanço do Facebook como porta de entrada para os conteúdos consumidos na Internet (ouça um trecho desse assunto no SoundCloud).

Para variar, a crise política nacional é o outro tema abordado neste episódio. Analiso a saída do PMDB do governo Dilma e suas implicações no processo de impeachment (ouça um trecho desse assunto no SoundCloud). Falo também sobre o protagonismo do juiz Sérgio Moro e a expectativa com a super delação dos executivos da Odebrecht.

Ainda nesta edição, comento sobre a estreia dos Drops do Sena. E, no Giro Pelos Podcasts, apresento trecho dos podcasts Braincast, Café Brasil e Fronteiras das Ciências.

Na parte musical, os sucessos pop de Ed Sheeran, com Photograph, e Mike Posner, com I Took a Pill in Ibiza. Também toco um trance “das antigas”, As The Rush Comes, com Motorcycle, na versão de quase 12 minutos (!), remixada por Markus Schulz.

Comentários sobre o programa podem ser enviados para o meu e-mail, alexandresena@gmail.com, ou pelo Facebook. Visite nossa fanpage ou deixe o comentário no formulário mais abaixo.

Seja um patrono do podcast! Doe qualquer valor por meio do Patreon.

Assine nosso feed RSS.

Baixe a íntegra deste episódio (formato MP3, 43 MB, 44m37s)

Alexandre Sena Show #03 – Evernote e crise política

canecaevernote

No ar, o terceiro episódio do Alexandre Sena Show! Você pode ouvir no player acima ou baixando o link no final deste post.

Política e tecnologia da informação voltam a dominar a pauta do podcast. O desdobramento da crise política no Brasil mereceu um bom espaço nesta edição, com o governo Dilma Rousseff se desmanchando em meio às grandes manifestações pró-impeachment do último domingo, às delações da Lava-Jato e à piora na economia. Explico por que a situação está complicada não só para o PT mas também para caciques de outros partidos, como Aécio Neves, Geraldo Alckimin e Renan Calheiros. Falo sobre a delação de Delcídio do Amaral e apresento trecho da gravação em que Aloísio Mercadante tenta comprar o silêncio de Delcídio. Comento, ainda, a aliança entre o PMDB oposicionista e os tucanos, para tentar acelerar o processo de impeachment no Congresso. E falo também sobre a ida de Lula para a Casa Civil, a última cartada dos petistas para tentar livrar o ex-presidente da prisão e salvar o governo do PT (ouça um trecho desse assunto no SoundCloud).

A política está tão dinâmica que tive que fazer um adendo de última hora, comentando sobre o vazamento da conversa entre Lula e Dilma, na qual fica claro que a indicação do ex-presidente para a Casa Civil foi realmente uma manobra para evitar sua prisão (ouça um trecho do meu comentário no SoundCloud) .

Outro assunto deste episódio é o Evernote, o badalado programa de armazenamento e compartilhamento de anotações e arquivos. Explico o funcionamento do aplicativo e mostro como ele pode ser útil para organizar sua vida profissional, acadêmica e pessoal. E trago uma rápida entrevista com o blogueiro e podcaster Vladimir Campos, um dos grandes entusiastas do Evernote no Brasil (ouça um trecho da entrevista no SoundCloud).

No Giro pelos Podcasts, falo sobre o PontoCast, o Ex-Machina e o Morte e Vida José. Vocês vão poder ouvir trechos das últimas edições desses podcasts, para conhecer e acompanhar.

Na parte musical, trago duas atrações do festival Lollapalooza 2016, que ocorreu em São Paulo: o pop inglês de Marina and The Diamonds, com Blue, e o soul rock americano de Alabama Shakes, com Don’t Wanna Fight, vencedora do Grammy este ano, na categoria rock. Também apresento o divertido samba de Boca Nervosa, Não É Nada Meu, ironizando a situação de Lula.

Comentários sobre esta edição, seja escritos ou em áudio, podem ser enviados para o meu e-mail, alexandresena@gmail.com, ou pelo Facebook. Visite nossa fanpage ou deixe o comentário no formulário mais abaixo.

Ajude-me a manter o Alexandre Sena Show! Seja um patrono do podcast, doando qualquer valor por meio do Patreon.

Assine nosso feed RSS.

Baixe a íntegra deste episódio (formato MP3, 53,5 MB, 55m30s)

Mais Periscope…

Assista no YouTube à reprise do Periscope que fiz na última sexta-feira, comentando sobre os assuntos abordados na edição 2 do Alexandre Sena Show.

Parte 1 – comentários sobre a crise política

Parte 2 – comentários sobre os apps Snapchat e Periscope

O maior inimigo do PT é o próprio PT

Desde sua fundação, o pior inimigo do PT é o próprio PT, por mais que eles tentem culpar a oposição, a direita e as “zelites”. Há, como sempre, uma guerra fratricida dentro do próprio PT – Lula X Dilma X Dirceu X Cardozo X Delcídio X Wagner X Mercadante X etc., etc… E essa autofagia pode ruir de vez com o partido que polariza ódios e amores na política brasileira.

Parece-me claro que Delcídio do Amaral implicou Lula e Dilma na Lava-Jato para se vingar por ter sido abandonado pelo PT e pelo Planalto após sua prisão – prisão esta supostamente provocada por uma operação mal-sucedida de cooptação do Nestor Cerveró, arquitetada por Lula.

A vingança se concretiza, simbolicamente, no Lula sendo levado coercitivamente para depor na Polícia Federal. O palco está armado para as manifestações do próximo dia 13 e a tendência é o circo pegar fogo de vez.

Ainda há uma (remota) chance do Lula sair de vítima dessa história e virar o jogo. Mas, se a eleição presidencial vier a ser antecipada, com Dilma saindo do Planalto ainda este ano, o calor dos eventos da Lava-Jato praticamente aniquila as chances eleitorais do PT. Este ano, até agora, está sendo um dos mais quentes da história republicana. Aguardemos o que ainda vem por aí.

Comente este texto no Facebook, clicando aqui ou usando o formulário mais abaixo.